não, branco.
você não roubou o futuro.
não apagou o passado e também não é sua a culpa.
não é sua a vergonha.
então essa dor.
aquela que nem passa pela sua cabeça
que deve ser algo que eu até mereça.
que eu esqueça, então, da vida.
tingida de cinza.
pela chuva de chumbo
que cobre o frio dos pobres no meio-fio.
porque ela é tamanha.
mas tem a força certinha para que eu não adoeça.
Sem pressa. Atravessa.
Em poesia, ensaio e cartas, uma obra que se entrega à sociedade como espaço de escuta e conscientização. Pato no Galinheiro convida cada leitor a nomear o que vive — e a transformar o que pode ser transformado.
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Um pato
no galinheiro.
Tem livros que explicam um tema. Este não. Este abre um espaço.
Em poesia, ensaio e cartas, Pato no Galinheiro funciona como um laboratório de leitura: cada texto é uma entrada, cada capítulo um exercício de reconhecimento. Quem lê não recebe uma tese — recebe um lugar para sentir o que não costuma ser dito.
A obra atravessa racismo, classe, paternidade e pertencimento — não como pauta, mas como matéria viva. E o que se faz com essa matéria, depois, é com cada um. O livro nasce dessa aposta: a de que nomear o que dói é o primeiro passo para que, juntos, possamos impedir que se repita.
Como o livro
se abre.
O livro se desdobra em sete partes. Cada uma é uma entrada — um lugar onde o leitor pode parar, respirar, reconhecer-se. Não há ordem obrigatória; a travessia se faz no ritmo de quem lê.
Prefácio
Um endereçamento direto ao leitor branco. O prefácio abre o livro com um poema que desarma a culpa para devolver a dor. O pacto inicial.
Apresentação
"A mula tá carregada" — uma voz feminina abre o livro, expõe a dor que não cabe mais. O leitor entra escutando.
AcatarSE · O circo
Os primeiros poemas. O acatamento como gesto que se aprende cedo — e o circo como lente para enxergar as relações distópicas que se tornam estrutura, em empresas e na sociedade.
Pato no Galinheiro · Casca de gente · Embranquecer
O coração temático da obra. A descoberta de ser diferente, a casca que se cria para sobreviver, a fuga via embranquecimento — e a perda do eixo, das referências, da ancestralidade.
Propósito · Engradado · E se fosse diferente?
A infância que trabalha, o engradado como sentença, prisão e sobrevivência. E a pergunta que abre futuro.
Cartas · Uma carta para ela · Carta à esperança
A obra muda de forma. Em prosa epistolar, o autor escreve para quem amou e para quem virá — e o leitor é levado para a esperança que insiste.
Posfácio
O que se diz quando o livro termina — mas a leitura, não. O último engasgo que direciona o leitor à ação.
Dentro
do livro.
Volta aqui
Não me esquece.
Pedido ingrato
Embranquecer foi fácil
Prum preto mulato
Garoto metido
Sapato, vestido, cabelo lambido
Perdeu seu bom-senso
Em grande estilo
Ganhou dinheiro como branco.
"Eu não tinha acordado e, ainda assim, abri os olhos, despreocupado. Levantar, mesmo sem saber como segurar. Mãos rasgadas, moderna enxada. Criança foi feita para recuperar. Carne fraca, que não presta se seu valor não se contesta. Se não deu hoje, amanhã a gente testa. O que eu sou nessa conversa? Criança ingrata? Ou adulto podre que se manifesta?"
"Comemoro. Eu te aceito. Trago comigo os caminhos malfeitos. Damos as mãos e corremos. Perfeito. Acolher. Chorar e sorrir. Mais algumas maratonas até ser lembrado que vaso ruim não quebra, mas tem que ser reparado."
"Atente-se: nesse cenário, as pessoas preconceituosas e/ou não diversas também trabalharão se descaracterizando e serão consumidas por assumirem uma identidade que não lhes veste. Isso é uma violência!"
Vozes
de dentro.
O livro não é tese, não é prescrição. Cada leitor sai diferente. Aqui, algumas vozes que descrevem o que encontraram dentro.
Há livros que respondem
ao que você busca.
Este aponta para o que você ainda não sabe que busca.
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